Henry tem 30 anos e é novo na profissão. Começou em janeiro do ano passado, mas só passou a viver 100% da gestão de tráfego em fevereiro deste ano. O motivo: trabalhou durante 10 anos em uma concessionária de rodovia, com comunicação e sustentabilidade.
Ele se orgulha dessa trajetória. Entrou em 2016 como aprendiz, ganhando R$ 400. Em 2017 virou estagiário, R$ 800. Em 2019 foi efetivado como auxiliar, R$ 1.200, e no mesmo ano foi promovido a assistente, R$ 2.085. Em 2023 chegou a analista, com salário de R$ 4.000. Nesse meio tempo, trabalhou 14 meses na holding acumulando função, sem ganhar nada a mais, só cobranças.
Mas ele cansou do jogo corporativo. Se esforçava, trabalhava duro, tinha entregas incríveis, e o salário era o mesmo. Ficava 10 horas por dia na empresa. Formado em marketing, com dois MBAs e uma pós, não era indicado para nenhuma vaga e não conseguia outra entrevista.
Foi aí que lembrou da própria formação e foi trocar ideia com um amigo, que falou do tráfego pago e do Pedro. Henry passou a acompanhar. Começou a estudar todos os dias. Comprou a CST. Chegou a delirar de febre no meio da noite pensando em gerenciador de anúncios.
O primeiro cliente veio de um churrasco. O segundo, por indicação do primeiro.
Ele pegou férias, trabalhou 3 dias delas, pegou ônibus até São Paulo, outro até o Rio, dividiu um airbnb com 3 subidos e foi ao SAV. Na semana do evento, bateu 6 clientes e R$ 5 mil de faturamento. Tinha ultrapassado o CLT. Entrou no PRO.
Trabalhou por dois, às vezes por três, até dezembro. Chegou ao auge do esgotamento.
Em fevereiro, a gestora avisou que o aumento tinha sido negado. Dias depois, o presidente da empresa ofereceu o desligamento. Em 15 minutos, ele foi de braço direito a demitido. Era exatamente o que ele queria.
Passou a viver de marketing 100%. Em março fechou 3 clientes. Em abril, mais 3.
E percebeu que a mudança maior tinha sido de cabeça. Antes reclamava, passou a agradecer. Antes esperava do mundo, passou a ir para cima. Começou a pensar mais como empresário e menos como gestor. Perdeu a vergonha de prospectar, de se oferecer, de fazer reuniões. Gravou 30 dias seguidos de vídeo.
A previsão de fechamento do mês é de R$ 17.913 com os contratos em andamento.
Mas, independente do dinheiro, ele está feliz. Nunca mais teve dor de cabeça e pálpebra tremendo às 17h, como acontecia todos os dias antes de sair da CLT. Voltou a treinar. Pode levar a namorada para a pós em Campinas no dia que quiser, porque é só embrulhar o notebook e ir. Não precisa da permissão de ninguém.







